Securitização de Ativos Empresariais
- Capital Primeiro
- 29 de jun. de 2020
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A securitização é uma atividade que tem vÔrias vertentes e vem se mostrando cada dia mais presente na realidade das empresas brasileiras. No entanto é importante identificar os diferentes tipos de securitização de ativos e como eles podem auxiliar as empresas na composição de seus fluxos de caixa e endividamento de forma a encontrar a solução mais adequada para cada empresa.
Os modelos de securitização mais visualizados pelo público em geral são aqueles utilizados na composição de ofertas públicas de CRIs, CRAs e Debentures por grandes empresas. Esse tipo de securitização é mais visto porque grandes empresas, corretoras de valores e instituições financeiras se envolvem na formatação de produtos que são ofertados a uma grande gama de investidores com ações publicitÔrias associadas.
Esse modelo de endividamento Ć© muito vantajoso para grandes empresas porque tende a ser mais barato e ter prazos longos. No entanto, dado os volumes de regulação, burocracia e marketing associados a essas emissƵes de tĆtulos em larga escala; sĆ£o necessĆ”rias grandes somas associadas a elas e isso torna essa atividade um mercado restrito das grandes empresas e grandes projetos.
No entanto, a securitização de ativos empresariais pode ser utilizada por empresas de virtualmente todos os tamanhos. Isso porque existem modelos de securitização com menos burocracia associada e intermediado em maior extensão pelas securitizadoras. Estas utilizam suas estruturas para absorver grande parte da burocracia e levantar os recursos necessÔrios para securitizar os ativos.
Uma vez que a securitizadora utiliza o seu relacionamento com investidores para a angariação de recursos e se responsabiliza pela gestĆ£o da burocracia atrelada ao processo de securitização, resta Ć empresa cedente colocar bons tĆtulos em negociação.
Assim o processo de securitização nĆ£o exige grandes adaptaƧƵes por parte da empresa cedente. O dia a dia Ć© muito parecido com aquele de cessĆ£o de tĆtulos para outras instituiƧƵes como bancos. Ou seja, os tĆtulos sĆ£o apresentados para a securitizadora, essa realiza sua avaliação de viabilidade operacional e concretiza a operação de securitização realizando o pagamento do valor do tĆtulo menos o diferencial aplicado sobre eles.

Uma diferenƧa que vale a pena salientar Ć© sobre o exercĆcio da propriedade do crĆ©dito. A questĆ£o aqui Ć© que o banco concentra muito de sua avaliação e risco naquele que Ć© beneficiĆ”rio dos recursos da uma operação, afinal para o banco as operaƧƵes geralmente sĆ£o analisadas por um prisma de emprĆ©stimo. Isso porque em uma eventual inadimplĆŖncia o banco debita os valores na conta corrente do cedente dos tĆtulos e passa a cobrar juros sobre o saldo da conta corrente.
Na securitização, como regra geral, divide-se o risco de crédito entre a empresa cedente e o sacado. Isso significa que muitas empresas que deixam de conseguir operações em bancos pois enfrentam restrições de crédito, conseguem realizar operações na securitizadora. Afinal esta muitas vezes analisa que o crédito a ser adquirido pertence a um sacado com um perfil de crédito muito bom. Assim a empresa cedente se beneficia da qualidade de sua carteira de clientes para conceder prazo sem sacrificar seu fluxo de caixa.
Para utilizar esse benefĆcio com tranquilidade a empresa cedente precisa apenas manter um bom controle sobre a liquidez de sua carteira. Isso porque no caso de uma inadimplĆŖncia a securitizadora atua em duas frentes. De um lado ela oferece ao cedente a oportunidade da retrocessĆ£o (recompra) do tĆtulo e dessa forma a possibilidade de aplicarĀ a polĆtica de cobranƧa do cedente para o tĆtulo. Na ponta do sacado a securitizadora inicia aƧƵes de cobranƧa entrando em contato com o sacado, negociando dias para o pagamento ou indicando a tomada de medidas de cobranƧa.
Isso nĆ£o significa dizer que a cedente nĆ£o Ć© responsĆ”vel pela liquidez dos tĆtulos. Significa apenas que a securitizadora pode optar pela medida que melhor lhe proporciona a satisfação do crĆ©dito. Esse modelo de operação proporciona muito das vantagens oferecidas pelas securitizadoras.
Outro ponto que torna as operaƧƵes de securitização extremamente atraentes Ć© a nĆ£o incidĆŖncia do imposto sobre operaƧƵes financeiras ā IOF. A legislação atual afasta o IOF das operaƧƵes, tornando-as mais competitivas e claras do ponto de vista da composição de custos.
Tendo em vista as caracterĆsticas demonstradas, a securitização nĆ£o pode ser ignorada dentro do expediente financeiro das empresas em atividade no Brasil. Trata-se de uma ferramenta em condiƧƵes de rivalizar em custos com instituiƧƵes bancĆ”rias, dar agilidade para composição de fluxos de caixa, possibilitar operaƧƵes com empresas que enfrentam restriƧƵes de crĆ©dito, dentre outras possibilidades. NĆ£o se trata de acabar com o relacionamento bancĆ”rio, mas utilizar uma ferramenta em paralelo a ele.
